Livro: A Tale of Two Cities (Charles Dickens)

10403074_875826849105691_485191559359278817_n Faz um tempo que eu rodeava esse arquivo no Kindle. A primeira vez que eu tentei ler “Um Conto de Duas Cidades” foi no fim do ano passado. Na época, estava no meio do processo seletivo para o mestrado e havia uma meta paralela de textos a cumprir para fazer a prova teórica, então o lia nos intervalos, 5% da obra antes de dormir… e isso não deu certo. No meio do livro percebi que estava desligada, não conectava muito do passado dos personagens e estava confundindo dois deles o tempo todo. Um fiasco. Decidi então parar e voltar posteriormente desde o início com a concentração necessária.

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George III, Rainha Charlotte, Louis XVI e Marie Antoinette. Nenhum dos reis tem o que eu chamaria de large jaw. Decepcionada.

A história começa em 1775 e se dividirá até o fim entre Inglaterra e França. A introdução a essas duas realidades é uma das melhores apresentações de livro que já vi. A alusão aos “kings of large jaws” e às rainhas de “plain e fair face” dá o tom que por vezes toma o livro, como uma visão muito distante da história com H maiúsculo para um conto de ficção.

O período claramente passará pela Revolução Francesa, já anunciada pelas passagens que demonstram a miséria da população e a assiduidade de execuções pelos mínimos motivos. Passeando pelos dois países está sempre a figura de Jarvis Lorry, funcionário do Tellson’s Bank e responsável por chamar de novo à vida o frágil Sr. Manette. Lorry encontra Manette liberto dezoito anos depois de sua injusta prisão, em uma espécie de taverna comandada pelo Monsieur e pela Madame Defarge e no estabelecimento do casal se une a ele a bela filha moça de Manette, Lucie, que até então vivera em Londres dando o pai como morto antes de seu nascimento. A filha consegue penetrar na catatonia do pai e os dois formam um laço forte pelos anos que se seguem.

Cinco anos depois, reencontramos Monsieur Manette no julgamento de Charles Darnay, bem mais sadio e sociável, mas ainda apoiado na figura da filha. A ligação dos Manette com Darnay data da viagem de volta para à Inglaterra cinco anos antes e já dá para perceber no julgamento o afeto que Lucie nutre pelo rapaz. É desse julgamento que saem a maioria dos personagens que passam a fazer parte do círculo de amigos dos Manette e, por conseqüência, de Darnay, que é inocentado graças à brilhante intervenção de seu advogado e de sua semelhança física com um amigo do último. O amor entre Darnay e Lucie parece estar se desenvolvendo, se não fosse pelo empecilho de um segredo que Darnay guarda e que só confessa na véspera de seu casamento para o pai da moça. O segredo é tão terrível que o velho passa o período de ausência da filha (em lua-de-mel) completamente catatônico. Quando os noivos retornam, entretanto, parece que nada se passou e estamos todos muito bem, obrigado. Só que os anos passam e a Revolução Francesa estoura e Darnay acaba sendo obrigado a voltar à França para resolver algo que tem a ver com esse probleminha do passado. Mas aí querem pegar o couro dele para tamborim e a família e agregados, todos partem para tirar o pai da forca Darnay da guilhotina…

Antes de tudo: não esperava algo assim de Dickens. Já tinha lido “David Copperfield”, “Oliver Twist” e “Great Expectations” do autor, mas “A Tale of Two Cities” difere muito dessas obras em termos de narrativa. Devo confessar que prefiro o estilo da historinha das duas cidades, já que achava as outras um tanto paradas e quase que seguindo certa receita. Em alguns momentos lembra “Les Misérables” e em outros se afasta tão completamente, especialmente ao mostrar a maldade e sede de sangue a qualquer custo de um povo sofrido, que fica impossível chegar uma comparação. Aliás, falando em sede de sangue, o que é a Madame Defarge na Revolução, minha gente? A mulher foi tomada pelo espírito da vingança de uma maneira que até a pequena Lucie aos 6 anos não passaria impune pelo cutelo de Itu e perderia o pescocinho diante do tribunal auto-proclamado. Era um núcleo que eu achava que prometia coisas mais nobres, mas cujas mãos terminaram bem sujas do sang impur.

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