Livro: Persuasion (Jane Austen)

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Esse foi um dos primeiros livros da Tia Jane que li, acho que só perdendo para “Sense and Sensibility”, e é um dos meus preferidos depois do óbvio “Pride and Prejudice”. Para falar a verdade, terminei a leitura no dia 8 e só agora arranjei forças para vencer o calor carioca e vir falar dele. Ê, Marília, cada dia pior…

Antes de conhecermos Anne Elliott, a protagonista dessa história, conhecemos o ambiente em que ela cresceu (e no qual é uma mistura de ovelha negra e wallflower) e aqueles que a rodeiam. Primeiro há o pai de Anne e seu maravilhoso livro da família. O velho é apaixonado pelas próprias raízes e pelo seu nobríssimo sangue e tem horror a ideia de ascensão social, além de ser vaidoso quanto a sua aparência e ter grande predileção pela filha mais velha por espelhar exatamente esse seu fervor de posição social elevado e por ser parecida fisicamente com ele. Para Elizabeth nunca haverá homem bom o suficiente, de posição tão favorável na escada e tão belo que a mereça. Anne é a filha do meio, figura apagada e vulnerável aos quereres alheios, um objeto que pode ser mudado conforme convém e a que mais se parece com a falecida mãe. Há ainda mais uma filha, Mary Musgrove, a única casada da prole, que mora relativamente perto e tem dois filhos.

A família não vai muito bem das pernas financeiramente devido ao descontrole do Sr. Elliott e para sanar o prejuízo acaba-se optando por alugar a propriedade e mudarem-se para uma casa menor em Bath, mantendo a fachada de boa situação. Elizabeth e o pai vão, mas Anne acaba optando por passar uma temporada com a irmã e outra com Lady Russell, uma viúva amiga da família que gosta muito da jovem por ela lhe lembrar da falecida. Oito anos antes, Lady Russell e o Sr. Elliott foram os responsáveis por impedir a ligação de Anne com Wentworth, uma figura que consideravam não fazer jus ao nome da família, sem dinheiro e família conhecida. Dá para notar o tamanho da dor da personagem na ocasião, já que ela não mais se recuperou da apatia que a dominou e a fez perder todo vigor da mocidade.

Aos 22 ela já mostrava fidelidade ao amor a Wentworth, negando a possibilidade de casamento com Charles Musgrove (que acabou se tornando o marido de Mary, awkwaaard). Só três pessoas além do casal sabem da história, então resta ao leitor simpatizar com a pobre Anne quando ela sofre calada quando seu círculo de conhecidos acaba por acaso esbarrando no círculo do agora Capitão Wentworth e os dois se encontram diversas vezes, naquele clima meio esquisito de antigos namorados, especialmente quando ele começa a flertar com as cunhadas de Mary, louco por um casamento antes de ser chamado em serviço novamente. Contrariando as probabilidades, Anne acaba recebendo um pouco do antigo brilho da juventude de volta com esse reencontro e até tem lá seus admiradores, o mais importante sendo o primo Elliott, herdeiro da propriedade da família, mas de quem Anne desconfia por seu comportamento que parece querer agradar e concordar com todos, sem nunca demonstrar seus reais interesses e sentimentos. E realmente ele não vale nada…

Se tem um momento nesse livro que merece ser mencionado é a confissão pela carta, ponto seguinte a uma discussão que Anne levava com um amigo sobre a fidelidade de sentimentos masculinos e femininos. É aquele momento que você solta um “awn” e lembra que Tia Jane não curte finais depressivos, semelhantes à sua própria história de amor. Pelo que sei, “Persuasion” é também o livro que mais reflete essa tristeza pela mocidade perdida de Jane e esse romance não concretizado por causa de terceiros. A família da protagonista é muito diferente dela e não parece muito amorosa como um todo, só prestando o devido respeito e atenção àqueles que consideram em posição igual ou superior. É uma história que reflete essa hipocrisia boba daqueles que se vangloriam de um sobrenome e de honra e riqueza que não mais existem e, como adoro esse tema (e meu livro nunca escrito também tratava disso), “Persuasion” mora no meu coração.

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