Livro: The Silkworm (Robert Galbraith)

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Confie em mim para começar a ler uma série pelo segundo livro… Mas agora, pensando cá com os meus botões, eu fiz a mesma coisa com Harry Potter. E nas duas vezes não foi minha culpa! Com “A Câmara Secreta” apenas aconteceu de meu irmão se enganar ao comprar o livro e, dessa vez, “The Silkworm” me foi emprestado sem que eu tenha lido “The Cuckoo’s Calling”. Acho que J.K. Rowling e eu desenvolvemos um padrão…

Como o livro me foi emprestado senti-me na obrigação de lê-lo mais rápido do que faria normalmente. Plano furado porque levei mais de uma semana e acho que o livro só exigiria uns três dias com um pouco mais de dedicação da minha parte. Ele foi recentemente lançado no Brasil com o título de “O Bicho-da-Seda”, mas a versão que eu li é a inglesa.

Acho que agora não é segredo para mais ninguém que Robert Galbraith é o pseudônimo de J.K. Rowling para escrever histórias de suspense e investigação. Eu, particularmente, nunca fui fã do gênero. Nunca li ou me interessei por Agatha Christie e o mais próximo que passei de gostar foi com Sherlock Holmes. Esse negócio de Coronel-Mostarda-com-a-chave-inglesa-na-biblioteca nunca foi minha levada e, por esse mesmo motivo, eu rejeitei a leitura de “O Chamado do Cuco” quando soube sobre o que tratava.

Mas e “The Silkworm”? O que pensei dele?

O livro (como me foi explicado antes da leitura pelo amigo que me emprestou) não exige a leitura do anterior. Quando trata do predecessor, há apenas leves referências ao rebuliço após o desvendar do autor do crime contra Lula Landry, mas em nenhum momento trata-se da história em si. Agradeço muito, tia Rowling.

O protagonista é Cormoran Strike, um detetive particular, ex-combatente do exército britânico no Afeganistão e filho bastardo de um astro do rock. Cormoran perdeu parte de uma das pernas na guerra, dificuldade que o que o prejudica em diversos momentos na trama. Não que ele esteja na sua melhor forma também, o que é compreensível quando analisamos a quantidade de passagens em que Strike está fazendo refeições gordurosas em pubs ou fumando. Para auxiliá-lo nos afazeres de seu pequeno escritório, Cormoran contratou uma assistente jovem, inteligente e bonita (sim, parece que está tudo se encaminhando para onde você está pensando) chamada Robin, cujo grande interesse na área investigativa é prejudicado pelos ciúmes do noivo, Matthew.

A rotina dos casos comuns do escritório (principalmente infidelidades e divórcios) é sacudida por Leonora Quine, a esposa de um escritor pouco influente que o contrata para descobrir o paradeiro do marido, desaparecido há alguns dias. Esse sumiço não é uma novidade para Owen Quine, dado a atos dramáticos. Entretanto, dessa vez há um diferencial: um romance chamado Bombyx Mori, em que Quine usa de alegorias e metáforas para difamar grande parte de seus conhecidos, tanto na esfera pessoal quanto do mundo literário. Os segredos contidos no livro poderiam destruir as reputações e vidas de muita gente e é a partir da leitura do livro e entrevistas  com os atingidos que Strike começa a montar o cenário que precedeu o desaparecimento de Quine e a identidade do culpado.

O livro tem algo de cansativo devido principalmente às descrições de lugares e hábitos de Strike. Em um livro desse gênero cheguei a imaginar que faria importância o pub onde Strike se encontra com Fulano ter paredes de madeira escura e um grupo de artistas sentado ao lado, ou dele frequentar a cafeteria Moonbucks no fim da rua, que serve chá com leite e pães recheados de peru. Mas não. Não faz a menor diferença na história, a não ser que você queira imaginar o hálito de Strike quando ele chega em casa claudicando. Dava para dar uma boa enxugada nessas partes e focar mais nas entrevistas, o verdadeiro motor que me manteve lendo até o fim, tentando descobrir as pistas que me conduziriam ao assassino.

Robin é uma personagem bem estereotipada. Suas respostas parecem algo que eu já tenha visto antes em um filme B de Hollywood. Strike tem muitas dores a remoer, tanto físicas quanto emocionais, e parece estar sempre se queixando quando analisamos seus pensamentos. Em realidade, o personagem não tem amigos ou vida privada expressiva. Todos seus conhecidos estão envolvidos com o trabalho que desempenha e/ou ele só os procura para desempenhar pequenas missões. Uma personagem apenas aparece em seus pensamentos para dar pistas de um real envolvimento emocional de Strike no passado, mas ela nunca aparece diretamente, pelo menos não nesse segundo volume. Robin, ao menos, tem uma vida independente do trabalho se contarmos sua família e o noivo, mas também não parece ter amigos e esses laços que ela mantém parecem estar muito distantes ou prestes a serem cortados para ter alguma significância.

Algo que sempre me pego pensando, tanto quanto li “The Casual Vacancy” quanto “The Silkworm” é que a mente de J.K. Rowling trabalha de maneira bem mais sombria do que os fãs ardorosos de Harry Potter parecem crer, o que me leva à plena convicção de que a autora teve que renunciar seu desejo original de desfecho da série juvenil devido ao amor extremo de seus fãs. Sempre me pareceu que o fim natural para o qual caminhava era a morte tanto de HP quanto Voldemort, mas Rowling se acovardou na última esquina do trabalho. Posso estar muito equivocada, também, e J.K. ainda acredita em fadinhas e unicórnios, mas para mim parece que o pensamento está mais alinhado com a necessidade de ferver bichos-de-seda para conseguir a seda…

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