Música/Pessoal: Sobre o recente vício em K-pop e a Hallyu que me pegou

Ou sobre cuspir para cima e o cuspe cair bem na sua testa…

Há alguns posts atrás, para tapar o buraco da ausência em uma época de estudos, fiz um post sobre as músicas que estava escutando no momento, incluindo aí 2 músicas de Kpop. Na hora escrevi que nem gostava tanto assim de música coreana, que era só acaso as duas estarem ali, como se assim justificasse minhas preferências. Esses guilty pleasures… Mas pode apagar o guilty daí, porque abracei minha prancha de surfe e saí para o mar para curtir minha hallyu (onda corana) com todas as forças.

Por que Coréia, pessoa-que-escreve-esse-blog? Porque sim não é resposta, então vou dizer que, como grande parte dos nascidos no final dos anos 80 e começo dos 90, fui muito influenciada na infância pelos animes japoneses e isso se refletiu por um bom tempo em muitas leituras de mangás, j-rock e alguma compreensão de um basicão sobre a cultura e a língua japonesa. Nunca me afastei dessas referências de fato, mas elas viveram dormentes por algum tempo em que estava completamente fascinada pelos países nórdicos, me dedicando a aprender mais sobre eles (você sabia que a Finlândia é o maior consumidor de leite no mundo?).

Como disse, eu sou/era muito viciada em mangás e um dos meus preferidos era “Hana Kimi”. Tanto gosto dele que já o reli algumas vezes, a última vez ocorrendo há alguns (dois ou três?) anos atrás. Foi buscando mais trabalhos da autora que encontrei o dorama baseado no mangá, de 2011. Achei interessante e, apesar de não curtir muito a ideia de live-actions na época, acabei assistindo a série.

O modo de narrativa japonesa se aproxima muito do mangá, com aqueles exageros marcados e onomatopeias encenadas. Era interessante e dei boas risadas vendo, mas não me chamou tanto a atenção. Entretanto, lendo os comentários abaixo dos vídeos percebi que sempre havia alguém comemorando que haveria uma versão coreana e que esta seria naturalmente muito melhor do que a japonesa. Fiquei me perguntando o porquê do fato e fui procurar os dramas coreanos, para saber o porquê de tanto auê em cima dessa versão. E aí eu acabei esbarrando em “Coffee Prince”, outro drama sobre uma menina travestida de garoto, e foi amor à primeira assistida.

Tá, talvez não à primeira assistida. Lembro de ter um choque com a diferença do idioma. Meus ouvidos estavam super acostumados com a fluência do japonês e eu só conseguia entender que coreano parecia mais focado nas vogais e era mais nasal. Além disso, havia os costumes coreanos, parecidos na natureza mas diversos na prática do que eu já sabia sobre o Japão. Esse é um erro muito comum, também. É frequente quem sabe um pouco sobre o Japão radicalizar o ponto de vista e considerar os países próximos mais do mesmo, separando um pouco a China por atribuir a ela traços mais particulares referentes ao tamanho do território, quantidade populacional e das influências do comunismo. E foi através dos dramas que aprendi sobre a Coréia e como os países da Ásia se diferenciam entre si na prática. Mesmo a ideia filosófica por trás da construção dos territórios se diferencia muito e a separação do território ainda vez incorporar mais aspectos extremamente particulares à cultura coreana.

Quem vê os dramas acaba aprendendo, querendo ou não, sobre esses aspectos e após um tempo é fácil naturalizar os procederes e encará-los como a coisa mais normal do mundo. Para citar alguns exemplos:
– a sociedade é regulada por uma clara hierarquia baseada em idade e há os tratamentos honoríficos específicos para cada situação, muitas vezes uma atribuição que também é usada para parentes. Unnie significa irmã, mas também pode ser utilizado entre mulheres que não partilham laços de sangue, falado pela mulher mais jovem para a mais velha. O tratamento masculino correspondente é noona. Como esse há diversos outros exemplos: oppa, hyung, ahjussi, dongsaeng, ahjumma, sumbaenim… Com o tempo e muitas horas de entretenimento coreano qualquer um tira de letra as diferenças.
– qualquer coisa que tenha a ver com respeito é feito com as duas mãos: cumprimentar, aceitar ou dar objetos, segurar o copo em que lhe servem…
skinship, ou toques pessoais, são realizados apenas quando há intimidade. Chega a ser engraçado porque no primeiro drama você se enfurece com a pouca quantidade de beijos, braços e de uma interação mais acalorada entre os personagens, acostumados que somos com a televisão ocidental. Um tempo depois, contudo, você está vibrando com qualquer mínimo contato e beijo de lábios cerrados.
– há uma cultura de se tornar mais próximo em torno de bebida. Na verdade é um pouco assustador a quantidade que se bebe porque não se pode desrespeitar o membro mais velho/mais importante e recusar o copo.
– “cuidem de mim”. A maneira de ao se apresentar, pedir para que os outros olhem por você é uma grande bandeira da filosofia do povo. Espera-se que todos se cuidem entre si, zelem uns pelos outros. Onde isso é mais visível? Pode parecer besta, mas nas refeições. O tempo todo alguém está dando de comer a alguém, pedindo para que essa pessoa se alimente bem.
– o serviço militar é obrigatório para todos os homens e em algum momento eles passarão seus dois anos “se tornando homens verdadeiros”. Isso, obviamente, tem a ver com o iminente conflito que pode estourar com a gêmea do norte.
– a idade é contada diferente. Quando o bebê nasce ele tem 1 ano. A cada ano-novo todo mundo recebe mais um ano, então o bebê que nasceu dia 31 de dezembro já teria no dia primeiro dois anos de idade. Isso tem mudado e cada vez mais gente celebra apenas a idade biológica, mas não é raro alguém dizer as duas: primeiro a coreana e depois o ano em que nasceu, até porque isso auxilia a estabelecer a hierarquia certa.

Esses são alguns dos aspectos, mas eu poderia escrever laudas e laudas sobre a cultura baseada nessas diferenças… Não estou aqui dizendo que essa cultura é melhor ou pior do que a nossa. É complicado estabelecer juízos de valor em culturas diferentes. Falo tudo isso porque acho todo o universo em torno desses costumes extremamente fascinantes. E claro que isso extrapolou os limites da dramaturgia e ando me vendo a assistir vários programas de variedade e escutando cada vez mais música coreana.

E eu juro que esse post surgiu querendo falar de música, mas olha onde chegamos e até agora nada! Pelo que estou viciada?

– TaeYang – Eyes, Nose, Lips:
Quem é: membro do BigBang, agência YG.
Ano da música: 2014! Nesse eu estou atualizada. Faz parte do disco solo dele, “Rise”
Do que trata a música? Alguém falando sobre o fim do relacionamento e como não pode esquecer os olhos, o nariz, os lábios,  da amada. Você vai parecer um(a) tarado(a) para todo o resto vendo o vídeo de um cara sem camisa, mas é capaz de chorar de emossaum depois de um tempo.

– Lim Kim – All Right:
Quem é: cantora de voz doce que atingiu a fama após um reality show. Em 2013 debutou em carreira solo. Agencia Mystic89.
Ano da música: 2013.
Do que trata a música? A resposta a um ex-namorado que continua a te procurar para perguntar como você está.
Vou entender alguma coisa? Se souber inglês all right, baby, vai entender o final das frases.

– Shinee – Lucitafer:
Quem são: boy band da SM, formado em 2008. Os meninos ainda tem cara de criança.
Ano da música: 2010. Caí de paraquedas nesse mundo hoje, aparentemente.
Do que trata? Seu rosto é angelical, mas você me tortura com suas palavras ao não se dizer minha de vez. Logo, seu suspiro é diabólico, de Lúcifer. Para mim trata-se de ver o clipe várias vezes por dia.

– MC Mong – 0904:
Quem é: cantor e ator, ficou um bom tempo afastado porque se envolveu em um escândalo. Acharam que ele pagou a seu dentista para remover dentes bons para não precisar cumprir o serviço militar. Algumas redes de TV grandes chegaram a banir sua presença. Ele cumpriu o tempo na cadeia, depois o serviço militar e agora está voltando.
Ano da música: 2014. Mas é discutível porque na verdade é um trecho da música Sick Enough To Die, de 2008, com nova roupagem. Eu gosto das duas versões, mas “0904” virou meu toque de celular.
Do que trata? Se afaste do meu coração!

– SNSD (Girls Generation) – I Got A Boy:
Quem são: girl band da SM, formado em 2007. É um bocado de gente e parece que está começando a se desfazer. É o grupo de maior sucesso internacional, são muito conhecidas especialmente nos EUA.
Ano da música: 2013.
Do que trata? É um diálogo/vários pensamentos sobre um mesmo fato. Uma das meninas got a boy que é gentil, bonito, blá blá blá e tem aquela que acha que ela mudou por causa dele, outra acha que ela está bonita, ela pede conselhos e as outras respondem…

– EXO-K – Overdose:
Quem são: subgrupo coreano do EXO, uma boy band com 10 pessoas, 4 da versão chinesa (EXO-M) e 6 da coreana. Eles cantam as mesmas músicas nas duas versões e é por isso que no clipe de repente aparece gente demais. As pessoas também estão saindo, mas por pura exaustão porque a SM abusa da força de trabalho desses meninos…
Ano da música: 2014.
Do que trata? O amor é uma overdose. Chamem o médico!

– BigBang – Fantastic Baby/ Monster/ Bad Boy:
Quem são? Grupo mais conhecido do K-pop, formado em 2006. São da YG e hoje em dia cada membro está desenvolvendo sua própria música, mas oficialmente ainda não foi anunciado o fim da banda. A levada deles é mais para o hip hop. Meu membro preferido é o T.O.P. por causa da voz mais grave.
Ano das músicas: 2012.
Do que trata? A primeira não tem realmente um tema, é para dançar. A segunda: eu não sou um monstro, foi lançada depois de alguns escândalos. A terceira: menina, volta para mim, eu te machuco porque sou um bad boy e você é uma good girl.


– 2NE1 – Come Back Home:
Quem são? Também da YG, grupo formado em 2009 com a intenção de ser o BigBang de saias.
Ano da música: 2014.
Do que trata? Volta pra casa, pufavô. O clipe é muito bom para contar a história.

– 2NE1 e BigBang – Lollipop:
Do que trata? É o BigBang dando uma forcinha para as meninas, que então estavam debutando, e aproveitando para vender celular. Sim, isso é uma propaganda.

 

P.S.: Maior post feito em serviço próprio do mundo! Agora todos os vídeos que assisto todo dia estão em um lugar só.

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2 thoughts on “Música/Pessoal: Sobre o recente vício em K-pop e a Hallyu que me pegou

  1. Pingback: K-drama: To The Beautiful You (2012) | Diário de Bordo

  2. Pingback: Retrospectiva 2014 | Meu Logbook

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