Livro: Skeleton Crew (Stephen King)

Tá rolando uma espécie de desafio Stephen King em paralelo, não? O mínimo que eu deveria fazer era tornar isso oficial, mas não quero assumir mais essa responsabilidade então vai continuar a estar camuflado.

Na verdade estou lendo esse livro há algum tempo. Como é uma coletânea de contos, estava intercalando-os com as leituras e acabou levando algum tempinho para chegar ao fim. E, com alguma ajuda da Wikipedia para lembrar de tudo, esses contos eram:

The Mist: é o conto mais famoso do livro porque foi feito um filme baseado nele que teve bastante sucesso. Eu vi o filme antes de ler o conto então já havia tomado alguns spoilers. Depois de uma tempestade elétrica, o protagonista sai para fazer compras com o filhinho e ficam ilhados junto a outros consumidores no supermercado, isolados do exterior pela estranha névoa que esconde ameaças. Ao mesmo tempo que se preocupa com a esposa que ficou em casa, David precisa lidar com os problemas mais imediatos e garantir a segurança do filho em meio ao frenesi que parece ter se espalhado no mercado, com alguns tomando posições violentas e ultra-religiosas. O final do filme é diferente do final do livro e eu acho melhor. O sentimento de desespero é maior na contraparte cinematográfica.

Here There Be Tygers: um menininho na escola com vontade de ir ao banheiro, mas com vergonha de se pronunciar para a professora. Eventualmente ele é mandado para fora, mas ao chegar ao banheiro encontra um tigre. A ideia, para mim, foi de uma ilusão criada pela mente fértil de criança influenciada por suas leituras. Todo mundo já criou esses cenários fantásticos na vida real, que tornam tudo mais mágico e interessante.

The Monkey: é sobre um brinquedo que possui uma espécie de maldição: toda vez que o macaquinho toca os pratos, alguma morte acontece. Stephen King tem uma coisa com brinquedos diabólicos. A infância dele deve ter sido um pesadelo…

Cain Rose Up: uma das histórias que me dá mais aflição porque você sente o que vai acontecer bem antes dos eventos realmente começarem. Se passa no dormitório de uma universidade, no último dia antes da volta para casa para as férias, e narra minuciosamente as ações de um jovem em um killing spree.

Mrs. Todd’s Shortcut: uma mulher com um hobbie um tanto particular: procurar os melhores atalhos para qualquer trajeto que faça. O alto grau de dedicação da Sra. Todd acaba tendo consequências um tanto inesperadas.

The Jaunt: nem sei porquê, mas é um dos meus contos preferidos. Enquanto esperam para serem teleportados para Marte, um pai explica aos filhos sobre as descobertas que levaram a tal possibilidade e os motivos que levam à necessidade do teleporte ser feito com uma ressalva de inconsciência. O filho, menino inteligente mas curioso demais para o próprio bem, aprende de maneira dolorosa que deveria ter tomado o remedinho como deveria.

The Wedding Gig: é narrado por um músico e conta como inesperadamente sua banda se viu no meio de uma confusão da máfia. É boazinha, mas não chama muito a atenção.

Paranoid: A Chant: o título já diz o que é o conto, na narração de uma mente psicótica que vê inimigos e ameaças em cada ação ao seu redor e escreve compulsivamente sobre esse medo que o persegue.

Word Processor of the Gods: o presente do querido sobrinho do protagonista é mais do que parece ser à princípio e assim que descobre a possibilidade que o processador de textos trás, ele o usa para alterar as circunstâncias de sua vida e tomar uma posição que acredita que deveria ser naturalmente sua.

The Man Who Would Not Shake Hands: e ele tem uma das melhores razões para tal. E um modo de suicídio um tanto particular.

Beachworld: acho que nem lembraria dessa história sem o wikipedia… Nela, dois homens em um futuro distante acabam presos em um planeta constituído apenas de dunas e mais dunas. Um deles luta pela sobrevivência enquanto o outro passa dias e dias apenas olhando para a areia, recusando-se a fazer qualquer esforço que garanta sua vida e saída do planeta.

The Reaper’s Image: um espelho (que não deveria estar em exibição) apresenta para aqueles que ousam olhar a imagem do Ceifador e quem se olha nele some. Achei uma história bem fraca porque enrolou tanto para chegar a um fim sem um real clímax.

Nona: outra história de um killing spree, mas dessa vez por razões bem diferentes. Também é uma das minhas preferidas. Um jovem que acaba de abandonar a faculdade encontra uma bela mulher em um bar de beira de estradas e as coisas acabam evoluindo de maneira um tanto esquisita. Nona não é o que parece à princípio para o protagonista, mas ela pode nem ter existido. A questão é: “do you love?”.

For Owen: papai King andando levando o filho para escola e escutando aquelas maluquices típicas saídas das cabeças das crianças.

Survivor Type: adorei esse conto! Um cirurgião acaba em uma ilha deserta, com apenas um carregamento de heroína que transportava. Nos primeiros dias ele consegue sobreviver comendo a carne crua de algumas aves que consegue matar, mas após um acidente vê sua mobilidade afetada e tem que recorrer a outros métodos. Baseando-se no ensinamento de um antigo professor na universidade de que a sobrevivência é questão do quanto se deseja viver, o protagonista se submete a operações sucessivas para ter o que comer. Deu para entender? Nhom nhom nhom.

Uncle Otto’s Truck: uma casa com um caminhão vermelho quebrado no quintal. Quanto mais você olha para ele, mais próximo ele parece estar.

Morning Deliveries (Milkman #1): começamos a historinha calmamente. O leiteiro, pela manhã, passando por uma rua residencial e fazendo suas entregas. Leite achocolatado em uma, leite comum na outra, nessa aqui não precisa entregar, na outra leite com veneno, naquela ali um gás mortal…

Big Wheels: A Tale of the Laundry Game (Milkman #2): dois funcionários de uma lavanderia bebendo até encher o pote e rodando em seu carrinho quebrado. Em algum ponto da história nosso solicito leiteiro aparece para cuidar dos três personagens que aparecem no conto.

Gramma: George fica sozinho em casa com a avó doente pela primeira vez desde que ele, a mãe e o irmão se mudaram. O menino tem verdadeiro terror da figura enorme, cega e assustadora. O tempo em silêncio o auxilia a juntar as peças do quebra-cabeças familiar que justifica esse medo, partilhado inclusive pelos tios e pela mãe do menino. Quando mamãe enfim reaparece, George está muito mudado.

The Ballad of the Flexible Bullet: de longe a minha preferida do livro. A loucura é a “bala flexível” que atinge o cérebro das pessoas e parece ser altamente contagiosa, influindo de modo perigoso se você acionar o gatilho que permite que ela entre na mente. Quase como um vírus a bala vai passando de pessoa a pessoa. Sabe aquela história de que quando você olha para baixo de um prédio alto, independentemente de como se sinta sentirá uma força te chamando a pular? É essa sensação passada para a história.

The Reach: Stella Flanders é a mais velha habitante de ilhota e nunca saiu de lá. Enquanto relembra do passado e de toda sua história familiar e reencontra os fantasmas de sua vida, Stella decide atravessar o mar congelado e atingir o continente.

Haveria mais uma história chamada “The Raft”, mas por alguma razão a minha cópia no Kindle não tem esse conto. 😦

Advertisements

One thought on “Livro: Skeleton Crew (Stephen King)

  1. Pingback: Retrospectiva 2014 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s