Livro: Pierre and Jean (Guy de Maupassant)

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ESTOU DE VOLTA!! É maluquice dizer que estava morrendo de saudades, que visitava esse bloguito e ficava com raiva de mim mesma quando via o post aí em baixo, feito tanto tempo atrás? Que bom voltar a escrever assim, livremente, sem as amarras das regras protocolares dos textos discursivos-argumentativos e comparativos que andavam me perseguindo!

Mas o que a Marília esteve fazendo por todo esse tempo?
Muita coisa, mas é bad juju falar sobre antes que se concretizem, então vou manter o assunto aqui do meu lado e se aparecer uma boa surpresa na caixinha, aí então eu comemoro e venho contar. Posso falar, entretanto, que meu tempo esteve sim sendo ocupado por diversas leituras técnicas e meu cérebro processou muita informação, mas nada que eu realmente tivesse vontade de incluir aqui. Então, leitura para entretenimento eu só pude retomar ontem e voltar hoje aqui para dar esse update maroto ao Desafio Literário. Estou apelando para Guy de Maupassant primeiro pelos livros dele serem pequenos? Acho que não. A verdade é que eu realmente adoro a maneira com que ele escreve e por ter a obra completa no Kindle acabo priorizando.

E do Pedro e do João, você não vai falar não?

Pierre e Jean Roland são irmãos. Pierre é o mais velho, de cores mais escuras, mais forte e com um temperamento mais arredio do que o afável Jean, o caçula querido da mãe, loiro e delicado. Ambos são filhos de uma casal que poderia ser considerado a classe média da época. O pai é um joalheiro aposentado e a mãe ainda carrega as marcas sutis da beleza da juventude. O papel principal dessa mãe é apartar as brigas iminentes que ameaçam estourar o tempo todo entre os filhos e, mais recentemente, interceder em favor do casamento de um deles com uma rica e jovem vizinha viúva. Essa viúva, Mme. Rosemilly, já demonstra sua preferência pelo mais jovem, o que serve para ainda acirrar mais os sentimentos de Pierre em relação ao irmão.

Apesar da rivalidade entre os filhos existe harmonia na casa dos Roland. Ambos estão formados e buscando locais para iniciar seu caminho profissional e Mme. Rosemilly é a presença constante que traz a certeza que ao menos um dos rapazes terá um começo mais abastado nesse caminho. Mas então um fato inesperado surge: um amigo distante deixa toda sua fortuna para o filho mais novo do casal. Claro que Pierre se recente da boa sorte do irmão e inveja o caminho fácil que se abre a frente dele. O primogênito começa a passar cada vez mais tempo longe de casa, fugindo da atmosfera festiva e dos planos de uso do dinheiro pelo irmão. Numa dessas escapadas ele encontra uma conhecida que ao ouvir a história sugere um motivo para a herança, motivo este impensado por Pierre à princípio. A partir desse momento, Pierre passa a nutrir suspeitas quanto ao passado amoroso da mãe e se convence de sua infidelidade para com o pai, que resultaria na natural predileção desse antigo amigo do casal pelo caçula que seria seu filho.

Pierre se ressente da debilidade do pai, da fraqueza moral da mãe e do desrespeito do irmão em aceitar o dinheiro, mas todos esses sentimentos são apenas a explicação e máscara que ele dá para o real sentimento de inveja que o corrói a cada vez que se depara com uma felicidade que crê ter sido destinada para ele. Ele diz que fará seu próprio caminho profissional, que ganhará cada centavo por conta própria e isso será mais digno, mas em verdade tudo o que queria era ter acesso à facilidade com que Jean se depara.

Sua presença se torna cada vez mais indesejada dentro de casa, com a mãe tendo frequentes ataques diante do julgamento silencioso do filho, a ignorância do pai de tudo o que ocorre e o incômodo à felicidade quase completa de Jean. Há o confronto e a resposta à dúvida que permeia parte do livro sobre a fidelidade de Louise e, ao fim, o desfecho inesperado de rejeição à presença de um dos rapazes dentro de casa, arranjando-se um meio de ser excluída a nuvem negra que ameaça a alegria dos projetos futuros da família.

Como sempre, Maupassant deixa aquele azedinho da realidade em sua obra. Nenhum dos personagens é isento de maus sentimentos e suas forças morais são fracas diante dos sentimentos apaixonados. E, como sempre, Maupassant é fascinante e me faz ter vontade de me afundar cada vez mais em sua obra.

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2 thoughts on “Livro: Pierre and Jean (Guy de Maupassant)

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