Filme: Nymphomaniac Vol.1/ Ninfomaníaca Vol. 1

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Daí eu estava em uma quarta-feira à noite sem nada para fazer e decidi que podia tirar alguns filminhos da minha pasta de downloads, eternamente lotada de tarefas que me proponho para o futuro. “Elena” foi um deles. “Nymphomaniac” foi o outro. E sim, só vi o filme por causa da imensa repercussão que teve porque as cenas de sexo são reais, digo, os atores realmente se engajaram sexualmente (apesar de visualmente isso não ter absolutamente nenhuma importância).

Esse é o último filme da trilogia da depressão do Lars von Trier e apesar de ter sido dividido em parte um e dois por causa do tamanho (ou pelo menos essa é a desculpa oficial), foi pensado como um enredo único, com interrupções apenas no que se refere a sua divisão em capítulos. Os outros filmes da trilogia são “Anticristo” e “Melancolia” e desses eu só tentei ver Melancolia, mas o começo estava tão chato e arrastado que eu desisti.

Em uma noite chuvosa, um senhor chamado Seligman (Stellan Skarsgard, o pai do meu bias eterno, Alexander Skarsgard) encontra uma mulher muito machucada na rua e resolve oferecer a ela um chá e uma cama. Essa mulher é Joe (Charlotte Gainsbourg) e ela afirma que se encontra naquele estado porque é uma má pessoa, um ser humano deplorável. Seligman não se convence por essa afirmativa e Joe se propõe a contar sua história para que ele passe a lhe dar razão. E essa história gira em torno de sexo, desde a infância até a idade adulta da mulher (pelo menos nessa primeira parte). Alguns outros personagens são importantes nesses primeiros momentos de conversa: a amiga B., o pai a quem Joe adora, a mãe distante e fria, Jerôme (Shia LaBeouf) e os Sr. e Sra. H (Uma Thurman, que está fantástica no papel de mulher traída e eu quase não reconheci na tela).

Seligman assume quase o papel de um confessor, mas acho que seria quase como dizer que ela está se confessando com deus, tamanha a vontade de absolver Joe que ele possui. Ele sempre é o responsável pela interpretação dos fatos através de metáforas e explicação. Já Joe não aceita com facilidade esse perdão fácil. Há algo de masoquista nela, pois ao mesmo tempo em que há um sorrisinho em seus lábios em certas histórias, como se de nada ela se arrependesse de fato, ela vocaliza muito uma culpa pelo o que os outros sofreram por sua causa.

Joe encontra o fio da meada para seus capítulos nos objetos do quarto que por hora ocupa (um quadro, um anzol, um bolo) e em alguns fragmentos da conversa com Seligman. Como sua história é narrada por ela mesma, dá para desconfiar até que ponto é permeada por uma visão parcial dos acontecimentos. Interessante são alguns elementos visuais que aparecem para esclarecer algumas cenas: há algumas repetições que indicam a rotina de caminhadas e parecem significar um ciclo do qual Joe não consegue fugir, sempre atraída para um mesmo ponto e também números e linhas que aparecem para enfatizar a importância matemática de certas sequências.

No todo achei o filme interessante e com certeza vou ver a segunda parte. Sobre o sexo: algumas partes referentes à infância de Joe me pareceram de mau gosto por se tratarem de atrizes crianças. As partes em que Joe é adulta não são tão chocantes como se faz pensar. Outros filmes sérios já se aventuraram bem mais por esse campo. O que me incomodou, de fato, foram as partes do diálogo entre Seligman e Joe, quando encontrava certa arrogância artística de von Trier, uma esperança de genialidade que só deve se concretizar na cabeça do diretor.

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