Livro: Far From The Madding Crowd (Thomas Hardy)

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Thomas Hardy sim, porque T. H. é amor. E esse é um daqueles que eu já havia lido e estava procurando motivos para reler, e para o qual o Desafio vem bem a calhar.

É também um romance rural, a especialidade do autor, e foi só agora que percebi a “interligação” dos romances. Boa parte do livro se passa em uma fazenda relativamente próxima a Casterbridge, onde os protagonistas, Gabriel Oak e Bathsheba Everdene, reencontram-se.

Mas quem são esses dois? Pois bem. No começo da história, Gabriel é um jovem proprietário de um pequeno rebanho de ovelhas que ele conseguiu adquirir após anos como pastor de rebanho alheio. Ele não está na melhor das condições financeiras, mas parece estar subindo os primeiros degraus para obter alguma posse e conforto. Um dia vê passar diante de sua porta uma jovem excepcionalmente bela, que aproveita uma pausa para se admirar em um espelho de mão, o que obviamente causa em Oak a impressão de extrema vaidade.

Alguns dias depois, cuidando de suas ovelhinhas no campo, Gabriel se depara com a jovem, que descobre ser uma milkmaid que cuida de algumas vacas. Gabriel se apaixona, mas ao se declarar recebe uma negativa veemente. A Srta. Everdene está muito bem sozinha, obrigada. Mais tarde vamos perceber que essa recusa não nasceu de desprezo pela posição de Oak e sim de sua crença no casamento por amor e um forte desejo de independência. Gabriel jura que dedicará todo o amor de sua vida àquela mulher e que nunca a esquecerá. Ele passa um longo tempo sem ver a jovem, até que uma tragédia com seu rebanho faz com que tenha que oferecer novamente seus serviços de pastor a terceiros e, por meio de um outro acaso, acabe reencontrando Bathsheba, agora ela estando em uma posição bem superior a ele, tendo herdado de um tio uma fazenda.

As relações entre os dois são à princípio um pouco desconfortáveis, mas logo se torna uma amizade bastante forte, sendo Gabriel a pessoa em quem Bathsheba mais confia para pedir conselhos íntimos e profissionais. Oak não é o único coração que Bathsheba encanta. Logo, outros dois pretendentes aparecem com suas propostas de matrimônio: Mr. Boldwood, o solteirão de certa idade da fazenda vizinha, a quem Everdene seduz como fruto de sua própria vaidade, e Troy, o militar de boa figura que corteja a jovem.  E aí é questão de tempo para que Bathsheba se apaixone e renuncie sua tão querida liberdade e independência por um desses pretendentes. (Mas eu vou te lembrar que isso aqui não é Jane Austen e que um casamento não significa o fim da história e há muito mais água para correr embaixo dessa ponte.)

Em “Far from the Madding Crowd” o que mais me encanta são os diálogos: simples, mas que revelam tanto sobre os personagens e, especialmente, da sinceridade das interações. Gabriel Oak é um protagonista atípico pois após um início bastante centrado nele, passa quase dois terços do livro com atuações tímidas, quase como espectador da vida que a amada patroa está levando. Ao mesmo tempo, em nenhum momento você se desinteressa dele. Sua atuação silenciosa e firme nos bastidores do protagonismo de Bathsheba oferece uma maior compreensão do que os outros funcionários da fazenda pensam dos envolvimentos românticos da patroa e de suas vidas quando longe do trabalho. Esses personagens secundários servem também muitas vezes para trazer humor e leveza à trama. Em nenhum momento deixei de gostar de Bathsheba, apesar de certa irritação com algumas de suas atitudes mais apaixonadas e gostei como as decepções acabaram por alterar suas inocentes certezas juvenis.

Ano que vem estréia uma adaptação dessa história no cinema, com Carrey Mulligan como Bathsheba e Matthias Shoenaerts como Oak e, obviamente, estou escrevendo esse post sentada na frente do cinema. Dois mil e quinze tem que chegar mais rápido!

farfrom

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