Livro: The Scarlet Letter (Nathaniel Hawthorne)

 

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Todo mundo aqui sabe que tenho certo preconceito com a literatura clássica americana, não? E que toda vez que eu me proponho a ler um deles, mentalmente acontece um processo de convencimento a dar uma chance e a me abrir as possibilidades existentes. The Scarlet Letter deve ser o livro que mais andou comigo por aí, rodando dentro de diversas bolsas, sem que eu o lesse de fato, mesmo quando tinha tempo e não tinha outra coisa a fazer. E, na verdade, quando eu me propus a realmente abri-lo, ele começou e terminou bem rápido.

Hester Prynne é a protagonista de uma história melancólica na América recém-colonizada e puritana. A história se passa em Salem (aquela mesma cidade que sofreu com condenações de bruxaria) para onde a jovem é mandada da Inglaterra pelo marido, para preparar as coisas antes de sua chegada. Há um envolvimento romântico de Hester com um par que inicialmente ignoramos quem seja e Hester concebe uma filha. Ela poderia ser condenada à morte pelo adultério, mas a existência desse bebê e o atenuante do sumiço do marido por mais de dois anos, que faz pensar que ele esteja no fundo do oceano, fazem com que sua pena seja suavizada e ela seja condenada a utilizar uma grande letra “A” escarlate no peito.

Em meio à condenação de toda a cidade no dia em que sua sentença é proferida, Hester percebe a presença de seu marido na multidão. Apesar dos apelos dos presentes para que ela diga o nome de seu amante e o condene a compartilhar de seu sofrimento, Hester se recusa a dizer quem ele é. Só que aqui a gente já tem uma mega dica de quem é essa pessoa e o porquê de sua impossibilidade de declarar sua culpa, então eu não vou sentir que estou dando um mega spoiler ao dizer que essa pessoa é o jovem, bonito e querido (principalmente pelas mocinhas virgens) reverendo Arthur Dimmesdale.

Hester passa a ser persona non gratta por onde quer que ande, sendo sua presença suportada apenas pelo seu brilhante trabalho com agulha e linha que a torna a melhor costureira da cidade. O marido de Hester assume uma nova identidade com o propósito de descobrir quem é o homem com quem ela havia se envolvido e se vingar. Ele logo acaba se aproximando do pastor, passando-se por médico, porque a saúde de Dimmesdale piora conforme o tempo passa e o pastor adquire o hábito de pousar a mão no peito freqüentemente. Enquanto isso, o bebê de Hester, Pearl, cresce e se torna uma criança com ares selvagens e algo mágicos, como se estivesse ciente do segredo de seu nascimento. O clímax do livro é triste e serve como representação dos valores daquela sociedade tão particular em sua época e localização, mais rígida em sua moral religiosa e social do que sua contraparte inglesa, apesar de ser majoritariamente constituída de cidadãos daquele país.

Como personagem quem mais me chamou a atenção é Pearl. Ela assume mais do que tudo o papel de personificação da letra escarlate tão ricamente bordada. Como Hester se torna uma figura quase santa, fazendo o bem aos pobres e se portando com severidade, Pearl parece ser a parte de sua consciência que se revolta com o comportamento de Dimmesdale, que desafia quem as ofende ao passar na rua e levanta a cabeça, sem vergonha do feito passado e que Hester só demonstra em um momento particular, quando uma esperança de fuga e felicidade aparece no horizonte. Pearl acompanha a mãe a todos os lugares e, assim como a letra bordada ao peito, serve como lembrança constante do crime cometido. Hester a ama profundamente, mas também a teme devido a seu comportamento incomum e freqüentemente enxerga algo de satânico em suas ações. Mas ela não está sozinha e muitos na cidade crêem que uma criança nascida do pecado tem nos ossos e espírito o toque diabólico.

O livro foi publicado em 1850 e espanta pela atualidade ao considerarmos o julgamento à mulher, sempre na posição de condutor ao pecado e ao inferno do homem, esse ser considerado isento de máculas na exceção de presença feminina. Essa condenação tão veemente a Hester não se espelha no tratamento dispensado a Dimmesdale quando na revelação de sua participação, já que os habitantes, em sua maioria, são incapazes de acreditar de fato em sua participação em tão grave corruptela moral.

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