Cinema: Maleficent/Malévola (2014)

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(Vocês sabem qual é a pior sensação ao se ter um blog? É escrever um post inteirinho, revisá-lo, cantar vitória e, de repente, ao salvá-lo, ocorrer uma falha eletrônica e você perder tudo. Chorem comigo pelo post a seguir, tentativa mal feita de retomar um raciocínio já traçado.)

Demorei horrores a ver Maleficent, eu sei. Mas já disse aqui que nunca vejo os filmes que fizeram sucesso no cume da onda. É quase intencional.

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Não é meu livro! Achei essa imagem no Google, mas minha coleção fazia parte dessa série.

Devo primeiro dizer que acho que nunca tive uma fase verdadeiramente de princesas e o mais próximo que cheguei disso foi bem distante da Disney Corporations, com uma coleção da Globo que tinha contos de fada mais desconhecidos e ilustrações belíssimas. Você já escutou falar dos “Três Anõezinhos do Bosque”? E ficou fascinado com a ilustração de “Barba Azul” em que apareciam os corpos de suas mulheres em uma sala cujo piso era coberto de sangue? E da fada Pluminha, que esvaziava o travesseiro de plumas na janela para que nevasse nos reinos humanos, já escutou falar? Mas com certeza já ouviu sobre “A Guardadora de Gansos”? Pois esses são alguns dos contos que eu trago na memória mais forte, com suas respectivas pinturas.

A história de Aurora é uma das que menos me cativam dentre elas, já que a pobre da princesa não tem qualquer participação ativa no próprio destino. No conto original que era passado de boca para boca, o destino da princesa comatosa ainda é mais duro e seu príncipe nada tem de cavalheiro, estuprando uma mulher indefesa e deixando-a grávida…

Pirei ou esse comportamento é espelhado na metáfora da perda das asas de Malévola? Aliás, só mesmo a beleza exótica e a atuação de Angelina Jolie para transmitir toda a dor do despertar da fada. Quase chorei junto. O momento de vingança, em que o feitiço é lançado, é igualmente genial, com uma Malévola confiante e mudada, agora exibindo uma força e um humor cortante. O que são aquelas interações dela com a bebê Aurora? Maravilhoso!

O rei faz uma escolha das mais duvidosas ao mandar a filha para ser criada com completas desconhecidas em uma localidade próxima aos Moors, achando que assim a protegerá da maldição. Aliás… Querido rei, senta aqui e vamos conversar. É sério que Sua Magnificência vai isolar a moleca no meio do mato próximo ao lar da sua inimiga, privando todos, inclusive a você mesmo, do seu convívio? Se a Malévola tivesse dito que a maldição se realizaria em algum momento entre o primeiro e o nonagésimo ano de Aurora eu até tentaria entender, mas ela vos deu dia e hora!! Se Sua Majestade queria tanto assim impedi-la de chegar a um fuso e uma roca era muito mais fácil ter explicado a ela por 15 anos e 364 dias o que a aguardava e na véspera tê-la trancado em uma jaulinha com guardas ao redor! Eike rei burro, eike conselheiros desnecessários!

Seguindo a linha da Disney de empoderamento feminino mais recente, o beijo do amor verdadeiro só pode nascer daquela que sempre foi se não biologicamente pelo menos emocionalmente sua mãe. E levando em conta que a versão de três anos de Aurora é feita pela Vivienne Jolie-Pitt, então também é biologicamente…

Para fechar com chave de ouro: eu não gosto do estilo musical da Lana Del Rey e a maioria das músicas dela só conseguem me fazer dormir. Mas a trilha na voz dela está linda!

P.S.: Na minha coleção a princesinha foi fruto de anos de tentativas em conceber um filho e ganha em seu batizado 7 presentes das fadas: beleza, inteligência, dança, canto etc . A fada malvada a condena à morte e aparece uma fada boa para trocar o fim do feitiço. A roca também é proibida mas uma velhinha surda acaba mantendo a dita-cuja até a chegada da menina que permanece 100 anos dormindo (e junto a ela todos no reino). Ao redor do castelo forma-se um denso bosque de espinhos e logo lendas apavorantes são contadas nos arredores, desestimulando qualquer um a entrar ali. Mas o príncipe escuta falar sobre uma mulher belíssima em coma e encontra uma mulher que ficou 100 anos a sonhar com ele.

E é um bocado triste saber que deram minha coleção anos atrás, sem que eu tivesse voz protestatória na questão 😥

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5 thoughts on “Cinema: Maleficent/Malévola (2014)

  1. Não, você não pirou, realmente a cena das asas cortadas seria uma eufemismo superficial (olha a redundância) demais para estupro. Eu, sinceramente, amei o filme. Menos o rei que era estúpido e completamente cansativo. As histórias que ouvi, quando pequena, acho que foram as mesmas que a sua de Aurora. Não me encantava uma princesa que decidiu tocar na agulha da roca, furar o dedo, entrar em coma e um príncipe com um beijo despertá-la. Era bem estúpido, mesmo quando eu era criança.
    Quando vi o pôster do filme, antes de lançar, pensei que Angelina Jolie estragaria minha figura de Malévola, mas não, ela inovou.
    Acho a história da Malévola infinitamente melgor do que a da Aurora em si.
    Beijos.

  2. Também amei o filme. Ele deu uma dimensão totalmente nova aos personagens e principalmente ao amor. Tirou a idéia do amor “passivo” que acontece do nada entre homem e mulher – tão comum nos contos de fadas pasteurizados que caracterizaram a fonte dos primeiros filmes. Colocar o amor como algo tão sublime como o amor maternal traz a continuação da chamada metáfora do corte das asas para o horror de ter um filho indesejado. Pois o horror pela criança se traduz na maldição e o amor que nasce por meio da pureza e inocência da criança resgata malévola de sua dor e amargura. O grande vilão da história é a hipocresia e a ganância de um homem que troca honra e amor por poder. Pois o poder que ele ganha nunca se torna legitimamente dele pois vem do roubo das asas – da liberdade – de malévola e acaba quando as asas voltam para ela – ela se torna novamente emocionalmente inteira. Há tantos aspectos nesse filme que acho que daria vários posts. Parabéns pela resenha.

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