Quadrinhos: Gantz (Hiroya Oku)

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Olha eu de novo por essas paragens! E escrevendo sobre mangá, gênero de quadrinhos que eu abandonei por um longo tempo!

(Primeiramente preciso dizer que o desafio literário não parou, só que o volume que estava lendo (e terminei hoje) merece um pouco mais de reflexão e um texto mais bem elaborado do que esses que faço “nas coxas” no próprio editor do wordpress… Segundo, um salve para o pessoal da Rússia que visita esse blog diariamente e me faz perguntar o que cargas d’água estão procurando, já que nada aqui está no alfabeto cirílico, como você bem pode notar. Agora, ao mangá.)

Antes de tudo preciso dizer que eu já fui uma grande colecionadora de mangás, de todos os gêneros e estilos. Isso durou por um bom tempo na minha adolescência, a ponto de até hoje eu ter uma parte inteira na estante para guardá-los. Só que acontecia um baita problema que acabou por minar minha vontade de colecioná-los em papel (e você provavelmente já deve ter sofrido isso com seus próprios livros ou outros bens queridos): o fenômeno da revista emprestada que nunca volta para suas mãos. Eu confiava muito nas pessoas e acontecia frequentemente de elas emprestarem o que eu havia emprestado. Aí, como você pode prever, acabei ficando com aquelas coleções sem começo ou sem meio em que existia por anos uma promessa de “vou devolver” que nunca se cumpria. E Gantz, pobre coleção, sofreu desse mal também, o que me obrigou a parar a coleção no meio e me desestimulou de lê-los por completo. Depois acabei pegando o hábito de ler mangás apenas online, em sites estrangeiros, e nunca mais fiz uma coleção.

Recentemente lembrei de Gantz e, mais importante, reparei que não havia chegado ao final da história. Daí foi um pulo para reler o que conhecia de anos atrás e avançar pelo terreno inexplorado dos últimos volumes.

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A história gira em torno de Kei Kurono, um adolescente de 16 anos, comum e com uma tendência bem forte de menosprezar todos ao seu redor. Logo vamos aprender que sua vida não foi sempre assim. Na infância ele tinha a fama de destemido e teimoso, conseguindo tudo o que queria e nunca desistindo, sendo inclusive fonte de inspiração para toda a vida de um amigo da época, Masaru Katou. E é em um dia aparentemente normal que esses dois velhos amigos se encontram em uma estação de metrô e Katou força-o a agir para salvar uma pessoa que havia caído nos trilhos. Só que os dois adolescentes morrem e são mandados para uma sala com uma bola preta e outras pessoas que estiveram também próximas à morte. Ambos se veem então reféns em um jogo que decidirá seus destinos entre a morte e a vida. Há alguma ajuda nos combates que travarão: uma roupa que fornece alguma proteção e amplia as possibilidades de seus corpos; armas destrutivas e aparelhos diversos que os auxiliam.

Após as missões, Gantz lhes confere pontos baseados em seus desempenhos e, ao chegar aos 100 pontos, abre três possibilidades: 1. Ter a memória apagada e ser liberto; 2. Conseguir uma arma mais forte para as próximas missões e 3. Reviver alguém da memória de Gantz. Depois da contagem de pontos, os membros de Gantz estão liberados para seguirem com suas vidas até a próxima vez que forem chamados para a sala, em uma nova missão. Os ferimentos são “resetados” quando ocorre a transferência então, desde que não morra, o personagem volta inteirinho para a sala, independente da gravidade do que sofreu em missão.

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Um exemplo um tanto literal de “bikini girls with machine guns” em Gantz

Como acontece em qualquer jornada do herói, os inimigos vão ficando cada vez mais fortes e, como acontece na maioria dos mangás “para meninos” a narração acaba sendo dividida em arcos com um começo e fim bem marcados. Mas não pense que o mangá é infantil. Bem longe disso, o autor apela diversas vezes para seu passado como autor de quadrinhos eróticos e especialmente as mulheres aparecem de forma bastante sensual e quase todas tem seu momento de nudez. Aliás, quase todas as capas de capítulos tem uma das personagens femininas em posições desconfortáveis e com poucas roupas e armas, “bikini girls with machine guns” total.

O traço é o principal chamariz. Como é bonita essa técnica do autor! Os cenários são feitos a partir de uma técnica especial que transfere um realismo à história quanto aos locais utilizados para a ação. Os aliens são grotescos e há grande variedade de personagens humanos, o que é sempre bom. Se eu tenho um pet peeve com mangás é quando o traço do desenhista não difere nos personagens e eu acabo me confundindo sobre quem é quem.

Para mim o ponto forte nem eram as missões em si, mas o que acontecia com os personagens entre-missões. Aprendemos a gostar (ou desgostar) de cada personagem seguindo esses aspectos alheios ao Gantz, mas intimamente ligados a ele. Há aqueles que querem apenas sair do ciclo porque tem alguém lá fora que depende deles; há os que veem o sentido de suas existências no combate simples e puro, que gostam do jogo em si e há aqueles que, em atos de altruísmo, estão ali para ajudarem aos que amam ou à desconhecidos.

E depois de um mangá tão bom, tão interessante, posso confessar que o final me decepcionou um pouquinho. O autor nem parou onde eu achei que deveria parar para proporcionar um final aberto (o encontro com “deus”) nem explicou tudo relativo aos personagens para realizar um final explicadinho (mostrando o destino de cada um deles). Ele parou exatamente nesse meio de caminho um pouco absurdo, que desafia todas as leis da física, e que deixa um sabor um tanto amargo na boca, o tipo de sabor um tantinho desagradável que sentimos por horas após uma refeição maravilhosa.

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Kei Kurono

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One thought on “Quadrinhos: Gantz (Hiroya Oku)

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