Livro: Jane Eyre (Charlotte Brontë)

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Jane Eyre é um desses livrinhos simpáticos que tem cara de ter sido visto como romance de banca de jornal, “para moças”, em outros tempos. A história dele não vai tentar definir um povo ou uma época, no máximo vai tentar inserir alguma moral religiosa aqui ou acolá enquanto diverte corações jovens ansiando por romance e mistério. Foi publicado em 1847 e tem muitos toques da vida da autora.

A protagonista narra a própria história de vida desde sua infância até alguns anos após os eventos principais. Seus pais morreram quando ela ainda era bebê e ela acabou sob os cuidados dos tios. A morte do tio, entretanto, a deixou em uma posição altamente desfavorável na casa. Para o tio, ela era uma querida, mais amada até que seus próprios filhos. Já para a tia, Jane é um estorvo indesejado. E os priminhos também não são dos mais simpáticos, especialmente John, que vive importunando e batendo na pobre. Uma ocasião em especial acaba fazendo com que a tia a coloque em um colégio interno, Lowood, em que passará 8 anos de sua existência (6 como aluna e dois como professora). Jane, entretanto, começa a cultivar sonhos de uma existência mais livre e anseia ver mais paisagens e conhecer outras pessoas além de suas aluninhas e colegas professoras.

E é por isso ela acaba se oferecendo para o posto de governanta e vai acabar em Thornfield Hall, cuidando da protegida de Mr. Rochester, uma menininha francesa chamada Adele Varens. À princípio Mr. Rochester não aparece nunca na mansão, vivendo suas aventuras no continente, e o tédio da vida cotidiana quase faz com que Jane procure outra posição. E aí, claro, ele surge caindo de seu cavalo branco e, apesar dos dois se reconhecerem como “não agradáveis ao olhar” ambos se apaixonam. Só que há um mistério ligado à vida pregressa de Mr. Rochester que ronda a casa e se interpõe entre eles…

Como disse, “Jane Eyre” tem para mim o climão de um Sabrina, Júlia e similares que são comprados na banca de jornal. Na época, entretanto, ele fez algum alvoroço por ter sido sucesso entre o público feminino e apresentar um protagonista masculino com tantas falhas em seu passado. Tem também um clima meio gótico com essa casa aparentemente assombrada por uma figura bizarra que gosta um bocado demais de fogo e, mais pelo final, alguma coisa de independência feminina, em que Jane ganha meios próprios de se sustentar sem necessitar trabalhar e sentimentalmente também afirma suas própria vontade.

Há uma passagem em específico que eu adoro no livro, em que Mr. Rochester se veste de cigana para descobrir as reais intenções das mulheres em uma reunião de amigos e o diálogo entre ele e Jane mostra o quanto ambos são iguais em inteligência e observação do que se passa. Só que depois dessa passagem o livro dá uma bela de uma caída de ritmo. Não ajuda nada que eu ache a Jane apaixonada uma das coisas mais chatas na ficção… Não encontro muito profundidade no que ela sente pelas suas narrações e, em comparação, o amor de Mr. Rochester parece um bocado mais sincero e profundo.

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2 thoughts on “Livro: Jane Eyre (Charlotte Brontë)

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