Livro: O Processo (Franz Kafka)

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Não posso chamar “Der Prozess” de releitura porque da primeira vez que tentei lê-lo eu era uma “pequena gafanhota” no mundo literário e desisti dele na metade porque não estava entendendo nada. Foi nessa época que eu li todos os livros do “Diário da Princesa” da Meg Cabot, então eu devia ter uns 14 anos.

Dez anos depois eu retornei a ele. Já sabendo um pouco sobre o estilo de Kafka e do fato do livro ser uma publicação incompleta, realizada após a morte do autor. E, além disso, o organizador do livro não colocou os capítulos na ordem mais lógica, o que realmente dificulta o ritmo da leitura.

O enredo tem como condutor Josef K., que em um dia aparentemente normal é acordado por oficiais de justiça encarregados pelo tribunal, recebendo então a notícia de um inquérito instaurado. Inicialmente K. deseja saber tudo sobre o processo e o porquê dele, pois nenhuma das pessoas-ferramentas do maquinário legal a quem encontra sabe explicar-lhe. Conforme o tempo passa, ele percebe que sua situação é mais grave do que supôs. Entretanto, tanto tempo se passa desde o início do processo sem que nada aconteça (um ano inteiro) que ele se conforma com sua vida singular de acusado e liberto e sua intenção é, agora, prorrogar indefinidamente esse estado. A lei que ele desconhece o encontra nesse impasse e o pune sem que ele nunca se conscientize de qual havia sido seu erro.

De alguma maneira a realidade vivida por K. parece se adequar mais a um sonho. Sabe quando no mundo onírico as coisas lembram a vivência cotidiana, mas um ou dois detalhes são tão absurdos que você entra em descrença? No “Processo” as coisas se passam dessa maneira. Oficiais são espancados no armário de tralhas do banco onde K.  trabalha, os tribunais se localizam de favor em prédios residenciais de bairros pobres e mal-afamados e seus caminhos são, tanto metaforicamente quanto literalmente, labirintos cuja solução só é conhecida dos iniciados.

Acompanhando o personagem por tão longo tempo, é impossível pensar em seu caráter como tão correto como se pode supor. A sensação de sonho, para mim, ainda se intensifica com as ações de K., especialmente em relação às mulheres. Elas parecem cair a seus pés a um mínimo sinal, elas mesmas agentes de um tribunal que está em todos os lugares e lugar algum.

No total, acabei a leitura com a certeza que daqui a dez anos o relerei de novo, pois a sensação de que há alguma mensagem oculta que ainda não descobri por completo persiste.

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