Filme: As Sessões (2012)

As-Sessões

Todo mundo espera alguma coisa de uma sexta à noite. Menos a Marília. A Marília fica em casa sendo surpreendida pela programação da Sky e assistindo filmes ao acaso conforme eles aparecem na tela. E é por isso que eu acabei conhecendo a história sexual de Mark O’Brien às três da manhã.

Mark O’Brien nasceu normal, mas na infância foi acometido pela poliomielite e, apesar de não ter perdido a sensibilidade nos membros, ficou com graves problemas musculares e uma posição peitoral que parece um tanto desconfortável. Ele precisa do auxílio de um respirador por longas horas, tendo uma liberdade relativa por poucas horas quando longe dele e controle absoluto apenas sobre a cabeça. Apesar dessas dificuldades, Mark se forma na universidade e se torna um poeta reconhecido. Ele necessita do auxílio constante de cuidadores e teve uma educação católica muito forte, dois fatores que acabam influenciando sua relação com o sexo e a tornando um ato de culpa, vergonha e medo. O novo padre de sua igreja acaba sendo uma influência forte em seu encaminhamento nas questões amorosas e, por ventura, nas questões sexuais. Aliás, as suas discussões com esse padre foram, para mim, a melhor parte do filme.

As sessões do título são referência aos encontros limitados que a substituta sexual realiza com Mark para que ele conheça mais sobre seu corpo e sobre as sensações obtidas com o ato sexual para que mais tarde ele se sinta à vontade para agir com algum interesse amoroso. E isso é aprendido na prática e com amplo conhecimento psicológico e profissionalismo da substituta, uma prática sobre a qual nunca ouvi falar. É claro que uma alma poética como a de O’Brien se envolverá sentimentalmente, apesar das fronteiras traçadas por Cherryl. Fronteiras essas um tanto permeáveis, diga-se de passagem.

O enredo é contado de forma muito rápido, não há momentos de tédio nele, pois tudo parece passar de forma bastante ágil, com cortes e saltos para que possamos nos centrar nas interações e reações dos envolvidos. Além disso, até nos momentos em que o roteirista poderia ter se afundado no drama e desenvolvido uma tragédia emocional desnecessária sobre o sofrimento do personagem isso não acontece e estamos sempre tratando até os sofrimentos com uma certa leveza e um frigir de ombros, como diante do humor divino proposto por Mark.

E o fim não decepciona e mostra ao mesmo tempo agradecimento e essa sensação de altivez e leveza diante da vida, do amor e do sexo.

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