Livro: The Mayor of Casterbridge (Thomas Hardy)

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Passei o tempo inteiro me referindo a esse livro, dentro da minha cabeça, como “The Rains of Castamere”. De vez em quando o cérebro “buga” com uma coisa e não tem como o convencer do contrário…

Eu gosto muito de Thomas Hardy e acho que ele não recebe nem metade do amor que merece. As pessoas não o conhecem ou apreciam como deveriam, mas, especialmente após Jude the Obscure (que relerei para o desafio), ele figura na minha listinha de autores favoritos e comecei a buscar tudo o que ele tinha escrito. Hardy tem um estilo em que parece que a história se conduz por ela mesma. Posso estar muito errada, mas acho que ele não era desse tipo de autor que já tem tudo planejado quando inicia a obra, e sim do tipo que a descobria no mesmo ritmo que o leitor. Seus personagens sempre têm altos e baixos na vida, uma vida na maioria das vezes rural e submetida às regras do campesinato inglês da época. E não espere muitos finais felizes.

“The Mayor of Casterbridge” começa com um jovem casal chegando a uma feira em uma cidadezinha rural. Eles parecem muito pobres e não têm laços afetivos muito fortes um com o outro. A mulher carrega uma bebê chamada Elisabeth-Jane. Esse casal acaba parando em um lugar para comer algo antes de continuar sua viagem a pé e Michal Henchard, o marido, acaba bebendo demais, a despeito da opinião da esposa, Susan, e grita para todos no recinto seu desprezo pela companheira e a vontade de se livrar o quanto antes dela, dizendo que a venderia a quem quisesse comprar. E, para surpresa de todos, um marinheiro aceita a sugestão, paga o preço proposto e leva mãe e filha para longe. No dia seguinte, Michael lembra o que fez e se arrepende, entretanto não pela questão sentimental e sim devido ao papel moral terrível que cometeu. Nos anos seguintes ele tenta se redimir por esse erro, ao mesmo tempo em que o esconde, e promete não beber por 21 anos, idade que tinha na ocasião. Acaba se elevando ao respeitável posto de prefeito da cidade em que se instala e ganha muito dinheiro, mas várias reviravoltas aparecem simultaneamente para desestabilizar a aparente calma e felicidade: uma mulher com quem ele se relacionou busca-o procurando casamento para esconder a vergonha de sua associação; um jovem escocês chega a cidade, sabendo tudo sobre o comércio de milho e feno (hay?) e uma mãe adoentada chega com a jovem filha, procurando-o. A partir desse ponto somos levados a acompanhar os relacionamentos entre esses personagens, sendo que cada um deles parece somar segredos que vão se revelando aos poucos.

E, olha, o que tem nesse livro são reviravoltas de destino. Fiquei com pena muitas vezes da personagem da filha, Elisabeth-Jane, de quem eram puxados diversos tapetes e ela nem mesmo sabia o porquê, já que ninguém contava NADA para ela e a moça precisava apelar para conjecturas. Ela descobria um pai amoroso: no outro dia o homem era uma pedra de gelo e desprezo; se encantava por um possível noivo e conseguia uma amiga a quem recorrer: os dois se apaixonavam e ela ficava sem casa e sem meios; outra figura paterna aparecia na trama: mentem para ele e ela permanece sozinha. Vou te contar, é tragédia depois de tragédia para a pobre. A “moral” da história, aliás, acaba pertencendo a ela: a felicidade são momentos que devem ser aproveitados e examinados no microscópio porque a vida é um mar de tragédias e tristezas.

Ao personagem principal não pode ser oferecido nem uma redenção digna porque ele era, talvez, quem mais tenha prejudicado os envolvidos e, quando acreditamos que ele tenha melhorado, ele vem e faz outra besteira. Sério, Henchard, não cansa ser um FDP tão grande? Até Farfrae me decepcionou em algumas atitudes e teve uma sorte bem melhor do que eu desejaria a ele. Mas isso é Thomas Hardy: ele não é a Jane Austen ou o Charles Dickens, ele não vai te entregar o que você quer e sim o que você precisa ouvir.

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3 thoughts on “Livro: The Mayor of Casterbridge (Thomas Hardy)

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