Livro: Fanny Hill, or Memoirs Of a Woman Of Pleasure (John Cleland)

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Ui, ui, ui, sessão para maiores de 18 anos nesse bloguito de família. Vamos encarar isso como o Cine Privé da minha Band, a Sessão Brasil da minha Globo, a SexyHot da minha NET, a parte com tentáculos dos animes… Tirem as crianças da sala. E já vou dizendo que em terra de 50 tons de cinza, Fanny Hill é rainha. Mas isso não quer dizer muito.

Já havia lido o livrinho em 2012 e, óbvio, dele ficou preso na memória apenas que era um livrinho erótico do séc. XVIII, até porque nessa releitura fica bem claro que falta mesmo uma linha de história e personagens que se elevem a algo mais do que peões para a maior quantidade possível de cenas que puderam ser colocadas em pouco mais de 200 páginas.

O livro é constituído de duas cartas de Frances Hill a certa Madame C. H., em que conta sua história: um começo humilde de vida, o acaso que a coloca um prostíbulo e suas primeiras lições sexuais, o primeiro encontro com Charles e período de alegria conjugal e, por fim, as condições que a levam à prostituição de fato (e suas várias formas) e o final dessa jornada de descobertas.

Alguns pontos em consideração:
– Os personagens têm a profundidade de um pires. Não espere nem mesmo conseguir distinguir algum traço entre eles. Pior ainda: beleza, atributos físicos e caráter estão ligados de modo que se o personagem for bonito você já pode inferir que será bom, educado, rico, com extremo vigor sexual e muito bem-dotado;

– Falando em bem-dotado, com exceção dos personagens “malvados”, todo o resto dos homens têm instrumentos de prazer (tô tentando usar as alegorias que aprendi com o texto) extremamente avantajados. Se a história acontecesse no Congo, vá lá, mas é na Inglaterra, não dá para acreditar que seja algo que não uma verdadeira inveja do pênis freudiana do autor com o assunto tratado…

– Alegorias para órgãos sexuais e o velho entra-e-sai (beijos, Alex!): aprendi aos montes. Nesse ponto há um claro esforço do escritor em não repetir os relatos tão constantes e alternar os termos para descrever as mesmas sensações. A partir de um ponto vira quase uma experiência sensorial e a descrição física do ato passa a ficar em segundo plano.

– Em se tratando de obra erótica achei bem “meh”. Após um tempo não muito longo fica tudo muito repetitivo e a falta de novidades arrasta um pouco a leitura. E não, Cleland, mudar o partner da Fanny não muda o meu tédio diante da mesma posição no mesmo cenário e rolando o mesmo proceder pela qüinquagésima vez.

– Algo positivo: a desfaçatez de Fanny diante do que vive. Deve ser uma das poucas obras em que a mulher não se importa realmente com o que a sociedade pensará de seu proceder, de seu desejo sexual. Ela é livre de culpa sobre o que faz e como o faz. Ponto pra ela como personagem. Mas, e aqui é um mas em maiúsculo e com glitter em torno, essa “facilidade” no trajeto da vida de Fanny só se passa na ficção mesmo, seja em 1749 ou hoje.

– Finalmente: é um bocado interessante pensar que aquela gente, tão bem vestida e de morais sociais tão rígidas, na vida privada se comportava de forma tão diferente. Naughty boys 😉

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2 thoughts on “Livro: Fanny Hill, or Memoirs Of a Woman Of Pleasure (John Cleland)

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