Livro: Bel-Ami (Guy de Maupassant)

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Eu conheci Maupassant por um professor da faculdade que era entusiasta do autor e usava seus contos como exemplo até quando a aula nada tinha a ver com aquilo. Os primeiros trabalhos que li dele foram contos (o autor tem mais de 300) e me apaixonei pelo seu modo de escrever, por suas alegorias e críticas sociais e pela diversidade de histórias que tinha a contar. Cheguei, por esses dias, a apresentar no curso de francês inclusive um trabalho sobre o autor e um de seus contos mais conhecidos: Boule de Suif. Por meio desse trabalho acabei descobrindo um pouco mais da vida de Maupassant e, como ele dizia que “Bel-Ami” é inspirado em sua própria pessoa, achei interessante lê-lo para o desafio.

O protagonista da história é Georges Duroy, que nasceu no campo, filho de pais muito humildes que eram donos de uma espécie de bar. Duroy não evoluiu em seus estudos e decidiu se alistar no exército, servindo por um tempo no continente africano antes de retornar à França, onde se instala em Paris, crendo em sua ascensão rápida para a riqueza e o poder. Mas as coisas não acontecem como esperado e no começo do livro o encontramos com fome, rumando as ruas de Paris, próximo as prostitutas e bares e contando moedas para tomar um copo de bebida. Um acaso nascido nessa noite muda o rumo de sua vida. Georges encontra Charles Forestier na rua e puxa papo com o agora mais gordo e doente ex-companheiro de exército. Forestier trabalha em um jornal, não muito conhecido, mas a que ele atribui demasiada importância. O La vie Française é um jornal criado para atender os propósitos do banqueiro judeu Walter. Atraído pela oportunidade de uma vaga como redator no jornal, Duroy vai à casa de Forestier e conhece as figuras de importância do jornal, além da esposa de Forestier e Mme de Marelle. Sua figura atrai os olhares femininos. Georges Duroy tem aquele charme inexplicável, aquele porte em que até as roupas mais simples parecem caras, uma beleza que faz com que até as menininhas se apaixonem por ele. Inclusive, é a filhinha de Clotilde de Marelle que lhe dá o apelido de Bel-Ami , coisa que rapidamente pega entre os outros personagens.

Georges Duroy consegue entrar no jornal, mas não tem o talento para escrita. Seus artigos, entretanto, encontrarão uma figura de criação na Mme Forestier, a verdadeira autora dos trabalhos de M. Forestier. Essa ligação irá crescer, mas apenas após outras relações igualmente proveitosas para Duroy, com suas várias amantes entre os altos círculos de poder que o conduzem a um degrau elevado que ele tanto anseia chegar. Duroy se torna o Barão du Roy de Cantel e sua ambição pelo dinheiro e pelo poder que acredita serem naturais a sua pessoa só fazem crescer.

Eu adorei o livro e como a condução narrativa é feita. A princípio, tinha fé se não nas boas intenções, ao menos na paixão pelas mulheres com que se relacionava. Duroy parece realmente se encantar com suas amantes, seus modos, seus vestidos, seus cabelos e peles. Entretanto, logo vemos que o amor que Duroy pretende sentir é fogo de palha que se extingue facilmente e sobrevive apenas o uso que pode antever para essas relações. Ele aprende muito com suas amantes pois não teria esperteza suficiente para criar os caminhos pelos quais vai seguir, especialmente em se tratando de sua relação com Mme Forestier. Aliás, Maupassant deixa claro que Mme Forestier seria muito superior a ele em todos os termos e uma igual em matéria de sedução para atingir o que deseja, mas ela sempre ficará um degrau abaixo de Duroy pelo fato de ser mulher.

“Bel-Ami” é também o símbolo de uma sociedade em que interesses escusos usam do público para beneficiar o particular e vice-versa, tanto na figura do jornal parcial de M. Walter quanto nas relações do protagonista.

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