Livro: Emma (Jane Austen)

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Alô, alô! Espero que esse posts estejam saindo com certa regularidade, porque eu os estou guardando no computador até ter acesso ao milagre da comunicação chamado Internet. E como acesso a internet e número de leituras são grandezas inversamente proporcionais, os livros lidos estão crescendo na mesma medida em que não tenho como publicar nesse bloguito.

E, dessa vez, ataquei mais um romance da Jane Austen, em mais uma releitura. “Emma” tem uma das personagens, se não a personagem, em melhor posição social dentre todos os livros da autora. Emma Woodhouse é bonita, rica, inteligente e pertence a um estrato superior de sua cidade rural. Desde a infância recebe elogios em abundância de todos e o único capaz de tolher um pouco as asas de sua vaidade é o Sr. Knightley, seu cunhado e velho amigo da família. O pai de Emma está um bocado sensível no começo do livro, não sendo um homem dado a mudanças de qualquer tipo e com o recente casamento da antiga governanta de Emma, Miss Taylor, com o Sr. Weston. Emma lhe assegura que tais tipos de mudanças de sua parte não precisam atribular seu pai: ela está perfeitamente contente com sua vida caseira e, talvez para enfrentar a monotonia de seus dias, se atribui o papel de casamenteira dentre seus conhecidos, supondo que teve algum sucesso no caso de Miss Taylor. Inúmeros incidentes e falsas percepções se ligam a essas tentativas de Emma e conduzem o livro até seu fim.

Por ser uma releitura eu já sabia o quanto amo esse livro. Junto a “Orgulho e Preconceito” (que é hors concurs e todos amam), “Emma” é um dos meus livros preferidos da autora. Há uma maturidade por parte da própria Austen em criar uma personagem tão falha, tão distante do ideal romântico da boa heroína. Sua esperteza trabalha quase sempre contra ela mesma, por boa parte do livro a protagonista não admite seus próprios erros devido a suposições e suas relações mais próximas são escolhidas em favor a sua vaidade.

O livro tem um humor singelo, próprio do trabalho da escritora. Há uma ironia fina no comportamento dos personagens, mas aos que posso atribuir mais ênfase são o Sr. Woodhouse, Sra. Elton e Miss Bates. Toda vez que um desses personagens emitia uma opinião eu me pegava dando aquele sorrisinho mental que fornece uma vontade ímpar de pedir para outras pessoas lerem o livro e terem acesso a tais pérolas.

O final me satisfaz particularmente, pois mesmo a felicidade amorosa de Emma precisa confrontar as (poucas) dificuldades da realidade de seu pai e de sua situação frente a uma amiga. Os modos de agir e reagir à época são tão singulares e ao mesmo tempo se encaixam tão bem nos dias atuais que é sempre um deleite ver essas interações e sua enorme mudança nos 200 anos de separação entre a era de Austen e a atual.

Se nada disso ainda lhe convenceu a ler, “Emma” foi inspiração para “As patricinhas de Beverly Hills”. SÉRIO!

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2 thoughts on “Livro: Emma (Jane Austen)

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