Livro: The Three Musketeers (Alexandre Dumas, père)

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E eu voltei ao Dumas. Depois de ”O Conde de Monte Cristo” parecia difícil tornar a me aplicar a algum trabalho do autor. Quem acompanhou os posts na época de leitura sabe que demorei bem mais do que pretendia porque houve momentos em que achei o livro um tanto paradão e, para despistar o tédio, alternei muito a leitura com outros livros.

Por causa do desafio, tenho realizado muitas releituras e estava sentindo a necessidade de intercalar alguns inéditos nessa mistura. E “Os Três Mosqueteiros”, que já estava há um tempinho coletando poeira na minha estante, se encaixava em todos os quesitos, então foi a escolha mais óbvia.

E como eu me diverti! Se soubesse, teria começado a ler Dumas com a talvez obra mais conhecida. O romance é um feuilleton, um novelão que mistura ação, aventura, fofocas do ambiente político e romance. Não espanta que tenham feito tantas adaptações (a maioria bem ruins) partindo dessa história.

Começamos a história com d’Artagnan, um jovem de uns 19 anos, saindo da casa dos pais e partindo para Paris, com recomendações do pai para o chefe dos mosqueteiros para ser empregado em seu serviço. D’Artagnan é passional, autoconfiante e corajoso, do tipo que não leva desaforo nem para casa nem para qualquer outro lugar, mesmo quando sabe que está em desvantagem. Eu o classificaria como explosivo, cabecinha-quente mesmo, pelo menos no começo do livro. Logo nesse princípio ele já consegue perder todo o dinheiro e a carta de recomendação, em parte devido a sua personalidade impaciente e em parte devido a um dos vilões da trama, e chega a Paris sem nada que o faça receber destaque ante M. de Treville, a não ser sua própria personalidade e suas ligações de compatriota com o comandante dos mosqueteiros. Ele é colocado, então, a serviço da guarda, para que adquira a experiência necessária a um verdadeiro mosqueteiro.

A história de como encontra seus companheiros – Athos, Porthos e Aramis – é extremamente engajante e particular. O inconseqüente jovem consegue ofender aos três, um em sucessão  ao outro, em um espaço de horas curtíssimo, e marca três duelos consecutivos. Na hora da primeira luta, entretanto, se deparam com inimigos em comum e acabam se unindo para combatê-los. A partir de então se tornam inseparáveis, e está explicado porque os tratamos como “d’Artagnan e os três mosqueteiros” e não “os quatro mosqueteiros”.

As aventuras se sucedem a partir desses fatos. Os amigos têm como aliados seus serviçais, a rainha e o próprio M. de Treville e, como inimigos, o cardeal Richellieu, seus espiões e, a pior dentre eles, Lady de Winter, que tem uma história pregressa com um dos mosqueteiros, mas de que só nos inteiramos mais para o final do livro.

Algumas curiosidades:
– A frase mais icônica, aquela do “um por todos e todos por um” é dita por d’Artagnan, ainda bem no começo da amizade, e as mãos esticadas são devido à promessa realizada. Nada de espadinhas para cima ou repetições dessa frase depois: ela é dita só uma vez, apesar de sua repetição incessante nas adaptações.

– Lady de Winter é uma das piores vilãs que existem! Uma verdadeira psicopata, que não parece nutrir afetos por qualquer uma de suas relações e visa somente seu próprio bem. E eu me surpreendi bastante com um dos seus atos logo no final. Não que não soubesse àquele ponto do que ela era capaz, mas as conseqüências do ato foram um bocado inesperadas para o que eu estava prevendo.

– A naturalidade da morte: personagens importantes ou meros coadjuvantes dos duelos dos protagonistas, não há diferença, a morte chega fácil no livro. Nem deveria me surpreender depois do que havia em “O Conde de Monte Cristo”, mas, nossa!, como ela causa pouca surpresa aos envolvidos.

– Athos é o nobre. Aramis é o que jura o tempo todo que é um mosqueteiro por tempo determinado e vai se dedicar à vida religiosa. Porthos é o grandão, forte, mas fica implícito que não é dotado de tantas faculdades mentais e exagera sobre a importância de suas relações. E d’Artagnan é quem realmente foi feito para a vida em combates e na política, dotado da esperteza e coragem para sobreviver a qualquer situação.

– Li em menos de quatro dias as suas quase 600 páginas. O livro é realmente envolvente e não dá vontade de parar ao fim do capítulo, além das interações entre os personagens serem repletas de humor. Com certeza vou relê-lo no futuro.

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