Livro: Le Petit Prince (Antoine de Saint-Exupéry)

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A primeira grande dúvida desse post é: Saint Exupéry sem hífen ou Saint-Exupéry com hífen? Parece que cada lugar em que procuro vem de uma maneira diferente.

Meu Felisberto continua me impedindo de acessar “as internet” porque ele anda achando que o Facebook é o Orkut de cara nova e não quer que eu participe de eventos falsos. Então, mais uma vez (e por tempo indefinido) estou trabalhando sob a lógica dos três dias para tudo escrever. 

Mais uma das leituras do Desafio, mas uma leitura que veio em boa hora porque eu estava adiando reler “O Pequeno Príncipe” há bastante tempo. E ó, minha sensibilidade deve continuar a ser uma piada universal, já que eu choro com vídeos de cachorrinhos e bebês na internet mas leio esse livro – bíblia de misses, fonte de tatuagens pelo mundo afora, guia de sobrevivência de alguns – e  continua sem me emocionar. Aliás, esqueci a história no dia em que devolvi para a biblioteca da Aliança Francesa a cópia gasta e rabiscada deles e estou com uma aba do Wikipedia aqui do lado para me ajudar. Não vou fazer aquela sinopse básica aqui porque é desnecessário. Todo mundo sabe da história básica que serve de metáfora ao encontro com seu próprio eu infantil e inocente, do questionamento do mundo adulto e suas peculiaridades.

Sobre o que eu gostei: a parte em que o petit prince viaja entre planetas pequenos e encontra seus habitantes, pequenos exemplos da insensatez da mente adulta; o encontro e a conversa com a cobra que o convence de que pode levá-lo para casa e do desenho da cobra que comeu um elefante, bem no começo do livro, porque para mim isso sim tem gostinho de infância, sendo a única parte de que me lembrava com certeza depois de tê-lo lido ainda em minha meninez. 

Acho que não pude me empolgar porque, realmente, muita gente já se empolgou. Esperava mais e tive aquela ligeira desilusão das expectativas. As frases mais conhecidas são, creio, as da raposa, mais para o final. É ela que diz que “você é eternamente responsável por aquilo que cativa” e “o essencial é invisível aos olhos”. E sobre o que eu acho disso? Bullshit. Mas como eu disse, devo estar um bocado dessensibilizada. Se estivermos falando de animais, flores e afins, então sim, você é responsável pelo que cativa, mas vamos combinar que adotar isso para falar de seres humanos é complicado e perigoso. Não vamos ser nem tão abstratos nem tão concretos com a filosofia do livro, né? E não esperemos afeto de alguém (ou nos manteremos ligados a alguém) só porque uma vez no passado aquele elo foi construído. Mas me alongo e aqui não é lugar para discussões filosóficas. 

Eu gostei muito do estilo de escrita do autor, apenas de faltar um pouco de coesão entre os capítulos. Simples, direto, de modo que a mensagem brilhasse mais do que o discurso que leva até ela. Ao mesmo tempo que parece um livro para crianças, parece não o ser pois há coisas que só serão compreendidas mais tarde, com mais experiência de vida. É um retrato do próprio autor, uma biografia por vezes, mas disfarçada de outra coisa, assim como a rosa se esconde de forte com seus poucos espinhos para disfarçar sua própria fragilidade.  

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3 thoughts on “Livro: Le Petit Prince (Antoine de Saint-Exupéry)

  1. Eu ri muito do seu “Bullshit”… Para ser honesta eu sou mais uma das milhões de pessoas super empolgadas com esse livro mas eu entendo que o seu ponto de vista.

  2. Pingback: Retrospectiva 2014 | Meu Logbook

  3. Pingback: Desafio Literário: #0001 ao #0050 | Meu Logbook

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