Livro: Good Wives (Louisa M. Alcott)

E então eu reuni muitas forças dentro de mim para terminar a segunda parte de Little Women.

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Nesse volume os personagens estão um pouco mais velhos e mudados. O livro já começa com o casamento de Meg e a “debandada” da primeira irmã do núcleo familiar e já dá as primeiras notas de como vão ser os capítulos que se seguirão. Ao contrário do primeiro livro, nesse as irmãs partem para caminhos bem diferentes, cada uma buscando a realização das aspirações que foram tecidas na primeira parte. O discurso religioso dá uma diminuída considerável e, inclusive, a autora sugere através da crítica ao trabalho de Jo (alter ego de Alcott) que isso ocorre devido à recepção do trabalho anterior. Como eu, parece que torceram bastante o nariz a um livro tão repleto de uma moral exagerada. Outra novidade é a divisão de capítulos, agora seguindo uma lógica de individualização do percurso de cada uma das irmãs. Temos então um capítulo dedicado à vida familiar de Meg, o seguinte à viagem de Amy, o próximo aos problemas de Beth e assim por diante.

Como dá para perceber logo pelo título, nesse livro todo mundo está caminhando para encontros românticos. Meg se dedica ao trabalho de esposa ideal, onde fica perfeitamente feliz com sua casinha e um casal de filhinhos para mimar. É. Só isso que acontece para ela e até a Beth tem uma história mais emocionante que a dela. Amy ganha uma viagem loooonga para a Europa, doida para realizar seu sonho de casar com alguém rico, mesmo que não o ame. Pois é, né? Deu para perceber que a Amy me cansa e eu não encontro absolutamente nada nela para desfazer todas as más impressões acumuladas em dois livros? Laurie, que sempre favoreceu Jo, está enrabichado por ela, mas sua confissão é rejeitada e ele parte em uma viagem para (adivinha?) a Europa, onde vai se encontrar com Amy. E já que estamos formando casais randomicamente, criamos um dos casais mais awkward de todo o universo literário. Por que é super normal um cara ser rejeitado por uma mulher e decidir casar com a irmã mais nova dela, né, Dona Alcott? Sério. Só conseguia pensar na esquisitice do natal nessa casa… Pelo  menos o casal que ela arranjou (nas coxas, também) para a Jo, a minha preferida, foi um pouco melhor do que essa presepada toda.

O contato dos personagens com os estrangeiros me causou certo desconforto também, já que o patriotismo da autora exalta demais as qualidades de Amy no Velho Continente para atribuir a toda a nação um certo resplendor e modernidade, um je ne sais quoi que seria incontestável aos demais. Como eu já não curtia a personagem e esse é um aspecto que já havia notado no primeiro volume, dessa vez me peguei virando os olhos até eles quase conseguirem divisar meu cérebro. Mas há uma exceção: um alemão.

No geral, me pareceu que a autora leu alguns dos trabalhos de Austen e tentou imitar o sentimento das histórias de mal-entendidos entre os amantes, de confissões inesperadas, das sensações do amor verdadeiro e do desenrolar até o casamento feliz. E ela falhou. E eu sei que eu tenho uma certa implicância com os autores clássicos americanos (não acho que cheguem aos pés dos russos, franceses e ingleses) e tento avaliar o livro à parte desse preconceito, mas não teve jeito, achei bem inferior ao ti-ti-ti que recebe como obra must-read, como clássico da literatura.

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