Livro: Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Chato só estar escrevendo esse post agora. Muito chato não ser como eu o havia planejado 😦

Queria escrevê-lo todo em Nadsat, ou pelo menos a introdução, já que esse é um dos maiores pontos de estranhamento logo no começo da obra, mas acabei deixando para “fazer isso depois” e isso se estendeu por tanto tempo que eu acabei ficando com medo de esquecer sobre as coisas que queria mencionar e decidi escrever esse tempo logo. Se no futuro eu mudar de ideia, volto aqui e reescrevo essa parte.

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Pois bem, a minha cópia é essa de aniversário, com a capinha laranja e com a garrafa de leite-com aqui do lado. Não sei se é a melhor cópia e, como já disse, prefiro ler na língua original. Dessa vez, fui seduzida pela versão impressa mesmo. Sou fã do filme do Kubrick em uma dimensão que vocês nem podem supor. Já o vi diversas vezes e sempre me delicio como se fosse a primeira. Apesar disso, nunca tinha lido o livro.

Um belo dia, andando pela livraria, me deparei com essa cópia tão linda, tão fantástica, com tantos textos extras, que não pude resistir e comprei. Comecei a ler imediatamente e foi amor à primeira página.

O filme é muito fiel no enredo em um todo, mas o livro supera exatamente devido aos detalhes. O jovem Alex tem apenas 15 anos no livro, enquanto no filme aparenta já estar no começo na vida adulta. A violência descrita nem choca tanto quanto à indiferença e, por vezes, felicidade de Alex e seu drugues perante suas ações. A vida é descomplicada, violenta e sem perspectivas. Ao mesmo tempo, quando Alex descreve a vida de seus pais, parece não haver nenhum espaço para diversão e improvisos, algo de que sua vida parece repleta.

Quando a punição por seus atos finalmente chega, Alex se adapta muito rapidamente ao novo mundo da prisão. Sua estadia é encurtada devido à possibilidade de entrar em um novo método de recuperação, a que ele aceita se submeter. Entretanto, Alex não sabia ao que realmente estava se submetendo e como isso iria prejudicar tudo o que ele entende por prazer. O controle mental condicionado a uma forte e desagradável reação física impedem que Alex faça qualquer coisa até mesmo para se defender, e leva a uma tal situação em que não parece haver outra solução senão a inexistência.

Nesse ponto, quando sua história se torna conhecida, suscitam-se inúmeras discussões acerca do livre-arbítrio, do próprio “adestramento” do ser humano e da natureza humana. Religião, filosofia e direito se misturam: é melhor deixar o indivíduo violento por natureza o ser, em sua totalidade, como ele nasceu, ou é melhor submetê-lo ao condicionamento que o destitui de sua singularidade, mas funciona pelo bem da sociedade e de suas expectativas quanto a ele?

A resposta alcançada no livro visa atender aos próprios anseios da sociedade em questão. O último capitulo do livro não aparece na versão cinematográfica, já que não havia sido incluída na versão americana do livro por decisão dos editores. Em parte, acho que para o cinema a solução final parece ser muito melhor deixado como estava então. No livro, contamos com esse quê a mais, sobre como é a vida de Alex depois da cura e sua mudança gradual e natural. Gosto das duas versões mas tendo um pouco à cinematográfica pois adoro um final que me deixa questionar o que aconteceu com os personagens principais.

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3 thoughts on “Livro: Laranja Mecânica – Anthony Burgess

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