Livro: L’Étranger (Albert Camus)

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Fiquei um tempinho longe porque precisava maquinar um pouco com os meus botões sobre esse livrinho tão inocente, que me caiu em mãos na língua original. É sempre uma pequena conquista ler um livro clássico na sua quarta língua e perceber o quanto você evoluiu por conseguir tão banal feito. E vamos falar de coisa boa! Vamos falar de um historinha bem contada,curta e ao mesmo tempo tão complexa em seus personagens, especialmente o protagonista Meursault.

No começo me espantei com a indiferença do personagem principal frente à situações extremamente emocionais: a chegada do telegrama dizendo que sua mãe havia morrido no asilo e sua viagem para o enterro. Essa falta de reações emocionais é sentida por aqueles que lá estão, enquanto a narração (feita pelo próprio Meursault) parece saber que está fazendo algo pouco comum, mas não se incomoda em agir para uma platéia de velhinhos e funcionários do asilo.

De volta à sua cidade ele ainda parece inabalado. Faz as coisas que lhe são habituais, se encontra e dorme com Marie, volta ao trabalho e encontra e ajuda o vizinho Raymond em um problema pessoal. Mais adiante, ele e Marie vão a um passeio à praia com Raymond e um amigo deste último. E é nesse ponto em que a história dá uma virada e não se trata mais de um homem que simplesmente tem um problema com seus sentimentos, mas sim de um assassinato (por motivos bem estúpidos) e do julgamento sobre o caráter desse personagem.

Óbvio que eles trazem à tona toda a falta de sentimento anterior para justificar uma psiquê doentia, inaceitável na sociedade. O advogado fraquíssimo de Meursault também não ajuda e os testemunhos favoráveis são descartados. Resta ao personagem principal o pior dos destinos: esperar a data de sua morte.

Mais ou menos nessa parte eu também comecei a repensar sobre as atitudes de Meursault, pois tinha implicado com a falta de amor dele no princípio. Ao final eu compreendi que a sociedade condenou ele pelo que ele era. Mais do que pelo assassinato, ele foi julgado por sua sinceridade, por não agradar às expectativas dos outros, especialmente estranhos, com suas atitudes. A sociedade não lidou bem com sua indiferença e quis fazer dele um exemplo de má-conduta, sendo que ele só foi sincero o tempo todo.

No final, ele também compreende isso e permanece inabalável ao que os outros querem que ele seja e faça, o que torna o fim ainda mais aterrador.

Resumindo a história: adorei e vou procurar as outras obras de Camus imediatamente!

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3 thoughts on “Livro: L’Étranger (Albert Camus)

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