Quadrinho: Le Bleu Est Une Couleur Chaude – Julie Maroh

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Ou na tradução literal: O azul é uma cor quente. Aqui no Brasil foi traduzido como “Azul é a cor mais quente”, o que para mim altera um pouco a intenção do discurso. Mas enfim…

Como eu já falei antes, prefiro ler a obra antes de ver sua adaptação em outra mídia e em meio ao sucesso do filme francês “La vie d’Adèle” (que no Brasil ganhou o mesmo nome do quadrinho que o inspirou) eu resolvi correr atrás do quadrinho de Julie Maroh.

Li no original em francês, em menos de uma hora porque a história é bem curtinha, um oneshot bem conciso. Espero que não seja spoiler para ninguém (se for, pode parar de ler aqui) mas o quadrinho já começa dando a entender a morte da protagonista, Clémentine, enquanto sua companheira, Emma, lê sua última carta e se dirige a casa dos pais de Clém’ no dia de seu enterro. Clémentine deixa para Emma seu bem mais precioso: o diário que ganhou aos 15 anos e no qual escreveu todas as suas angústias de adolescente e o começo de seu grande amor pela garota de cabelos azuis da capa.

A leitura flui muito fácil, os únicos contratempos são os da própria personagem principal, que demora muito a aceitar a sua própria natureza. Clémentine é filha de um casal muito conservador e, a princípio, só enxerga a solução de agir conforme todas as outras adolescentes, mesmo não se sentindo inclinada ou a vontade ante tal perspectiva. Um dia ela vê passar na rua uma menina de cabelos e olhos azuis e essa simples visão muda todas as poucas bases em que Clémentine se apoiava. Entretanto, muita água corre embaixo da ponte até que Clém’ comece realmente a se aceitar e que reencontre Emma, a menina de cabelos azuis, em uma situação igualmente casual, e perceba que o impacto que aquele primeiro encontro também ocorreu para Emma.

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Clémentine começa o relacionamento às escondidas de todos e cheia de inseguranças. Para alguns aspectos a solução ocorre com o próprio tempo que ela precisa para se acostumar a uma nova visão de vida. Para outras (como a situação dentro de sua família), não parece haver solução.

Mesmo quando o quadrinho parece se destinar ao fim, uma vez que os conflitos parecem estar solucionados, outros aparecem e fazem duvidar até mesmo do amor tão distinto que aparecia estar se desenvolvendo.

Minhas considerações:
– Não sei como está o filme mas espero que não esteja se aproveitando das cenas de sexo inadvertidamente, apenas para atrair espectadores. Nos quadrinho essas passagens foram bem construídas, sendo que minha impressão não era de algo explícito e sim da demonstração de amor entre dois seres humanos, independente de seus gêneros.

– O personagem de Valentin, amigo de Clémentine que a introduz ao mundo gay podia ter conquistado um espaço a mais na trama. Ele é muito importante na história.

– O traço do HQ me incomodou às vezes. Não dava para distinguir muito bem quem era mulher e homem e eu cheguei ao meio da história achando que um personagem (Sabine) era homem. Talvez tenha sido uma escolha deliberada, mas acho que não.

– A ideia do quadrinho começar em preto e branco, apenas com os detalhes azuis em colorido, e ir ganhando cores conforme Clémentine se aceita e aceita seu amor por Emma funciona muito bem. Não parece forçado já que o próprio colorido é gradual e muito suave.

Bom, agora só resta ver o filme.

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